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À sombra do Mahatma

O velhinho simpático, aí na foto abaixo, pode muito bem se passar por esses velhinhos que ficam nas pracinhas dando milhos aos pombos. Ou ainda, desses que ficam tomando conta das estripolias dos netinhos.

A imagem não é tudo!

O velhinho é Anna Hazare. Um ex-motorista de caminhão, de 74 anos, que se cansou da corrupção na Índia e vem balançando a roseira do governo.

Atitude é a legenda do velhinho!

Num discurso em Ralegan Siddhi, numa perdida aldeia indiana, onde nasceu, Hazare disparou, em meio a uma multidão:

- É hora de ação ou de morrer, exatamente como na nossa luta pela independência! O governo está tentando enganar o povo deste país! Não vamos permitir que isso aconteça!

Desde 1975, Hazare tem sido o pesadelo do governo indiano e do seu infindável sistema corrupto.

Na semana passada, o governo indiano fez o que faz notáveis sistemas corruptos: meteu Hazare numa prisão. O resultado é que o povo foi às ruas em sucessivas manifestações pelo país todo. O governo indiano meteu mais de 4 mil pessoas nas prisões, como se isso fosse adiantar alguma coisa.

Da prisão, Hazare anunciou uma greve de fome. E o governo indiano resolveu soltar Hazare, mas o líder anticorrupção decidiu continuar na prisão até que lhe fosse devolvido o direito de protestar livremente.

Hazare já tinha feito uma outra greve de fome em abril. Aí o governo indiano fez um projeto de lei para a criação de um órgão pra controlar as contas do governo. Só que por esse projeto, nem o premier nem membros do Judiciário poderiam  ser controlados por esse órgão. Num parque em Nova Délhi, Hazare fez uma greve de fome por tempo indeterminado, mas a polícia queria que a greve de fome durasse apenas três dias. Prevendo que o xilindró seria o seu caminho natural, Hazare gravou um vídeo em inglês e em hindi, conclamando os seus seguidores a se levantarem pacificamente contra a corrupção.

Em um trecho desse vídeo, ele (pacificamente) vocifera:

- Sem mudanças, não haverá liberdade, nem democracia, nem uma verdadeira República. Os protestos não devem parar.

Na quinta-feira passada, Hazare foi libertado e iniciou uma greve de fome no parque Ramila Aidan, em Nova Délhi. A polícia limitou a greve de fome para 14 dias, mas Hazare é carne de pescoço.

Nas manifestações, ele conseguiu unir artistas, personalidades, motoristas de riquixás motorizados, professores, eunucos e advogados que atuam na Corte Suprema.

Já chamado de novo Mahatma Gandhi, Hazare não se abala e segue em frente.

Que falta que faz um Anna Hazare no Brasil!

Spray

Ilha deserta

A memória, essa coisa incômoda…

Eu me lembro de coisas que se passaram na minha infância. E em tempos bem remotos.

Me lembro das cores dos papéis de presentes que eu ganhava quando tinha uns 3 anos. Já, naquela época, eu não gostava de ganhar presentes. Continuo o mesmo.

Me lembro das cores das paredes da minha casa quando tinha festa de aniversário. Os barulhos das crianças correndo pelo apartamento afora e minha mãe, com aquele sorriso divino, servindo a tudo e a todos com o imenso bolo de aniversário, que eu nunca gostei. Também continuo o mesmo.

São coisas que não se apagam da memória, por mais que o tempo venha em implacáveis cascatas tentando corroer tudo o que eu já vivi. São teras e teras de memória, que eu acho que nunca vão ter fim.

Aliás, achava.

Porque desde ontem, quando li a notícia no jornal, descobri que tem um desmancha-prazeres na espreita.

É Adam Kolber, advogado que é professor da Brooklin Law School, em Nova York. Ele quer que as drogas amortecedoras da memória sejam utilizadas o mais breve possível.

Essas drogas, que foram reabilitadas há 8 anos pelo Conselho de Bioética da Presidência da República dos Estados Unidos, poderiam ser prontamente usadas para as vítimas de experiências traumáticas, como assaltos e ataques terroristas, defende Adam.

Mas os bioeticistas não concordam com o advogado. Dentre os motivos alegados por esses profissionais, está o temor de dar poder demais pras pessoas alterarem suas experiências ao seu bel prazer. E com isso, o próprio senso de identidade dessas pessoas estariam irremediavelmente comprometidos.

Seria fantástico se pudéssemos mesmo esquecer das coisas traumáticas, que passamos nesta vida.

Esquecer o passado. Só o presente existindo e o futuro, com um novo passado sendo sempre “corrigido” de acordo com o passar do tempo.

Certos políticos brasileiros, tomariam doses cavalares destas novas drogas.

Acho até que faltaria produto pra tanto consumo!